Dois comprimidos para engolir nesta madrugada tediosa:
O Domingo na Praça - o melhor projeto cultural destas plagas -, que estava agendado para reestrear em junho e foi adiado para o último domingo de julho, talvez saia em agosto. A culpa? Sempre a burocracia.
Outra: lembram de uma tal Bienal do Livro de Natal? Aquele evento cuja última edição foi um fiasco? Pois este ano tem tudo para fugir das críticas pois sequer vai acontecer.
A informação ainda é extra-oficial. Partiu de livreiros e cordelistas que mesmo antes deste mês julino normalmente procuram reservar espaços nos estandes e este ano receberam a notícia de que nada sequer foi conversado entre prefeitura e estado.
Para amenizar este absurdo, a prefeitura mantém o Encontro Natalense de Escritores para o fim de novembro. E a Fundação José Gugu? A Bienal de Mossoró? Tudo bem, então.
Sábado, 11 de Julho de 2009
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
A memória viva de Nei Leandro
Uma beleza o Memória Viva com Nei Leandro de Castro agora há pouco pela Tv Universitária. Participaram junto com o escritor e apresentador do programa, Tarcísio Gurgel, velhos amigos de Nei: o advogado Marcos Guerra e o jornalista Woden Madruga.
Achei mais interessante as duras críticas que Nei Leandro fez à adaptação de seu livro As pelejas de Ojuara ao cinema, pelas mãos de Moacyr de Góes. Até então sabia do desgosto do autor com o filme. Desconhecia que fosse tanto.
A criação da personagem Mãe de Pantanha também foi uma cômica revelação. Outra passagem engraçada foi a provocação de Tarcísio Gurgel quanto aos cachês não-pagos para Nei após suas palestras. O autor do mais novo livro do mercado potiguar - A Fortaleza dos Vencidos - avisou que cansou de palestrar de graça e só participa agora mediante cachê. Mesmo que para eventos locais, quando geralmente nada cobrava.
Aproveito o ensejo para adiantar, e que ninguém nos ouça, que Nei Leandro é um dos convidados já confirmados do Encontro Natalense de Escritores deste ano.
Na noite de autógrafos de ontem, um bom público. Como tem sido nos últimos lançamentos. Não pude ir ao de Cefas Carvalho e ao de Cassiano Arruda. Mas soube do sucesso, sobretudo da fila recorde do último.
O melhor não foi o bate-papo com alguns amigos na Siciliano ou algumas pautas discutidas e agendadas, mas as palavras do escritor no autógrafo do livro. Afora o adjetivo elogioso ocultado pela modéstia do blogueiro, há muito não me colocava na esfera da "nova geração". As palavras massagearam o ego deste mancebo passado dos 30.
E não é pouca coisa. Aposto que ninguém coloca mais Alex de Souza na nova geração (rs).
Achei mais interessante as duras críticas que Nei Leandro fez à adaptação de seu livro As pelejas de Ojuara ao cinema, pelas mãos de Moacyr de Góes. Até então sabia do desgosto do autor com o filme. Desconhecia que fosse tanto.
A criação da personagem Mãe de Pantanha também foi uma cômica revelação. Outra passagem engraçada foi a provocação de Tarcísio Gurgel quanto aos cachês não-pagos para Nei após suas palestras. O autor do mais novo livro do mercado potiguar - A Fortaleza dos Vencidos - avisou que cansou de palestrar de graça e só participa agora mediante cachê. Mesmo que para eventos locais, quando geralmente nada cobrava.
Aproveito o ensejo para adiantar, e que ninguém nos ouça, que Nei Leandro é um dos convidados já confirmados do Encontro Natalense de Escritores deste ano.
Na noite de autógrafos de ontem, um bom público. Como tem sido nos últimos lançamentos. Não pude ir ao de Cefas Carvalho e ao de Cassiano Arruda. Mas soube do sucesso, sobretudo da fila recorde do último.
O melhor não foi o bate-papo com alguns amigos na Siciliano ou algumas pautas discutidas e agendadas, mas as palavras do escritor no autógrafo do livro. Afora o adjetivo elogioso ocultado pela modéstia do blogueiro, há muito não me colocava na esfera da "nova geração". As palavras massagearam o ego deste mancebo passado dos 30.
E não é pouca coisa. Aposto que ninguém coloca mais Alex de Souza na nova geração (rs).
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Lei do Patrimônio Vivo sai do papel

Depois da lamentação do post abaixo, publico aqui um sinal de vitória. Segue o release da minha antiga colega de Preá, Ramilla Souza. Finalmente a Lei do Patrimônio Vivo saiu do papel. A Fundação José Gugu pode ajudar e muito, como tem feito com o edital de folclore ao colocar técnicos para auxiliarem grupos e mestres no burocrático processo de inscrição. Sem esse auxílio será praticamente inútil essa Lei. Segue a notícia:
Agora é realidade. A Lei do Patrimônio Vivo, apresentada pelo deputado Fernando Mineiro em 22 de agosto de 2007 e aprovada pela Assembleia Legislativa em outubro do mesmo ano, finalmente foi publicada no Diário Oficial do Estado.
Isso significa que folcloristas e mestres da cultura popular com mais de 20 anos de atividades culturais no RN já podem se inscrever e concorrer a uma bolsa de auxílio mensal.
O processo de licitação (inscrição) está aberto até o dia 20 de agosto, na Fundação José Augusto. Podem participar pessoa física ou juridica (grupos) que tenham atuação cultural comprovada e moradia há pelo menos duas décadas no estado do Rio Grande do Norte. Também é necessário ter nacionalidade brasileira.
Serão 10 bolsas no valor de R$ 750, para pessoa física e R$ 1.500, para pessoa jurídica, pagas pela FJA. O concurso será realizado anualmente. No caso dos grupos, é necessário apresentar o estatuto, bem como não ter qualquer fim lucrativo.
Além de poder utilizar o título de Patrimônio Vivo do RN, os beneficiados terão prioridade na análise de projetos no Sistema de Incentivo à Cultura do Estado.
"Uma lacuna será suprida", declara o folclorista e ex-presidente do Conselho de Folclore do Rio Grande do Norte, Deífilo Gurgel. "Até hoje não havia auxílio para bricantes, grupos e artistas individuais do folclore. Agora eles terão condições de sobreviver e apresentar seus trabalhos", afirma.
Para Deífilo um dos pontos mais interessantes da lei é a possibilidade "patrimônios vivos" repassarem seu conhecimento através de cursos, oficinas e palestras. De acordo com a minuta de edital do concurso, serão romovidos "programas, atividades e projetos de ensino e aprendizagem de seus conhecimentos e técnicas, promovidos pela Fundação José Augusto, com todas as despesas custeadas pela mesma".
"Os mestres terão obrigação de transmitir conhecimento. Isso é ainda melhor do que quando eu conseguia pensões vitalícias para alguns deles", conta o folclorista. Como Deífilo explicou, há algum tempo ele já havia tomado uma iniciativa parecida, porém pontual.
Motivação
"A idéia é tentar acolher os mestres da nossa cultura popular e que estão sem apoio ou esquecidos pelo poder público", afirma Mineiro. O objetivo é, portanto, preservar um patrimônio cultural que dificilmente poderia ser registrado e que, com a morte desses mestres, provavelmente também seria extinto.
"Quem melhor pode difundir a obra dessas pessoas são seus filhos, que cresceram dentro dessa cultura. Mas se eles veem que seus pais vivem com tanta dificuldade, claro que não vão querer continuar", declara Deífilo.
O atual vice-presidente do Conselho de Folclore do RN, Gutemberg Costa, conta ainda que alguns dos mestres vivem em situações precaríssimas de saúde. "Eu priorizaria aqueles que estão pior de saúde, em cadeiras de roda, e com idade mais avançada. É uma situação de calamidade", enfatiza.
A escolha dos beneficiados será feita pelo Conselho Estadual de Cultura, com recomendação da Comissão Especial de Registro do Patrimônio Vivo do RN, da FJA.
As inscrições podem ser feitas na Fundação José Augusto, das 7h às 13h. O endereço é: Rua Jundiaí, 641, Tirol. Mais informações no (84) 3232-5337 (8h às 12h) ou pelo www.fja.rn.gov.br
E assim caminha a cutura potiguar
Está desestimulante produzir cultura nesse elefante quase branco do Norte sem sorte. Seja no Estado ou na capital.
O produtor cultural Nelson Rebouças procurou a direção da Fundação José Gugu para pleitear R$ 8 mil a serem empregados na produção de uma coletânea de músicas apresentadas no projeto Poticanto. Isso para divulgar a música dos artistas locais na Feira de Música de Fortaleza, que acontece em agosto e da qual foi convidado.
A explicação dada foi a mesma dada para o pagamento do Prêmio Nubia Lafayette: "Não temos esse dinheiro". Ora, se os artistas já têm dificuldade em encontrar estúdio para gravação e ainda precisam arcar com parte dos custos, ainda por cima precisam se humilhar para receber o prometido pelo edital. É um absurdo.
Na esfera municipal, a burocracia (ou a desculpa de que estão arrumando a casa) ainda emperra o processo de pagamentos. Nesta semana o compositor e intérprete Geraldinho Carvalho foi bater à porta para receber cachês de shows do tempo de votz.
Basta dizer que a prefeitura ainda deve o pagamento do café da manhã servido no Dia da Poesia, ocorrido em março.
Pior. O artista plástico Venâncio Pinheiro prometeu entrar na justiça para conseguir o pagamento referente à decoração do carnaval!
E assim caminha a cultura de Poti.
O produtor cultural Nelson Rebouças procurou a direção da Fundação José Gugu para pleitear R$ 8 mil a serem empregados na produção de uma coletânea de músicas apresentadas no projeto Poticanto. Isso para divulgar a música dos artistas locais na Feira de Música de Fortaleza, que acontece em agosto e da qual foi convidado.
A explicação dada foi a mesma dada para o pagamento do Prêmio Nubia Lafayette: "Não temos esse dinheiro". Ora, se os artistas já têm dificuldade em encontrar estúdio para gravação e ainda precisam arcar com parte dos custos, ainda por cima precisam se humilhar para receber o prometido pelo edital. É um absurdo.
Na esfera municipal, a burocracia (ou a desculpa de que estão arrumando a casa) ainda emperra o processo de pagamentos. Nesta semana o compositor e intérprete Geraldinho Carvalho foi bater à porta para receber cachês de shows do tempo de votz.
Basta dizer que a prefeitura ainda deve o pagamento do café da manhã servido no Dia da Poesia, ocorrido em março.
Pior. O artista plástico Venâncio Pinheiro prometeu entrar na justiça para conseguir o pagamento referente à decoração do carnaval!
E assim caminha a cultura de Poti.
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Homenagem a Fon

Um pedaço da história hippie de Natal se perdeu nas entrelinhas do tempo com a morte do músico Afonso Lima. Fon, como era conhecido, guardava memórias libertárias naqueles cabelos compridos; vontade de Liverpool, embora o jeito compenetrado trouxesse à lembrança um Bob Dylan de respostas aos ventos. Fon nasceu mesmo foi na década de 60. Apareceu para os festivais na Fortaleza dos Reis Magos ou no Juvenal Lamartine; para a contracultura a favor de uma democracia distante das marchas e encontros musicais na Praia dos Artistas. Época de Vândalos - o conjunto de jovens roqueiros inebriados pela doce rebeldia de James Dean.
A psicodelia desfilava pelos corredores da UFRN. “Calças coloridas, bolsas à tiracolo e o som da música…”, lembra o amigo Véscio Lisboa. Pelo inglês fluente de Fon, as mensagens do “velho mundo” pintadas pelas cores de Woodstock chegavam aos rebeldes da província. A residência de Fon era (a) Praia dos Artistas da época; um Cavern Club versão jerimum, voltado para o mar e aberto à música, sobretudo aos sábados de microfones e instrumentos plugados para farras musicais durante a noite. “Gerações de músicos se formaram na casa de Fon: Enock Domingos, Babal, Carlos Moreno, entre outros”, lembra o músico João Galvão.
Fon sumiu há um ano da cena musical. Ficou em estado lisérgico (músico que é músico não vegeta) devido a um tumor no cérebro. Na última segunda-feira ressucitou seu contrabaixo em outros ares. Valeu o esforço, como afirma o amigo de colégio e de rock Nelson Freire: “Há pouco mais de um ano formou-se essa grande corrente torcendo pela sua saúde. A sua partida não invalidou o esforço feito. Até porque sabemos de antemão que temos o bilhete da volta já comprado. Só não sabemos o dia da viagem. É a prova de que a amizade é artigo que não se compra, se conquista. Como você fez, meu primo Fon”.
* Na foto, Fon e o também músico e irmão Lola
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
De Nei Leandro de Castro

De Nei Leandro de Castro a respeito do livro Fortaleza dos vencidos, a ser lançado quarta-feira na mesma Siciliano do Midway. A matéria completa do agnóstico caicoense e colecionador de imagens de São Francisco sai na edição do Diário de Natal desta terça-feira:
O título do livro remonta tão somente a Natal de ontem ou ainda cultivamos uma aura de “vencidos”?
O livro traz muita referência à Fortaleza dos Reis Magos. São casos e encontros amorosos, paixões imensas que acontecem lá. O último capítulo é todo vivido dentro da Fortaleza. Os vencidos são personagens históricos que ressurgem na Fortaleza para julgar pessoas acusadas de traição. É meio surrealista. Um deles é o judeu Jacob Rabim. Ele ajudou no massacre de Cunhau; personagem importante na trama. Houve um fato curioso: numa reunião de potiguares no Rio de Janeiro eu disse que pesquisava a vida desse judeu e mais de uma pessoa se insurgiu contra a ideia. Criticaram o fato de eu aproveitar a história de um traidor no livro. Pura babaquice. Ora, se a
riqueza do personagem está aí.
Com Neguinho da Beija-Flor
Um dos artistas mais representativos do carnaval das escolas de samba carioca estará amanhã no palco do Teatro Alberto Maranhão, dentro do projeto Seis & Meia. Aos 60 anos, Neguinho da Beija-Flor traz na bagagem 34 anos à frente da Beija Flor de Nilópolis, 30 álbuns de samba gravados, prêmios de música como o Sharp e Estandarte de Ouro e um câncer no intestino do qual luta há mais de um ano. Os tempos são de superação e cautela. O dono da voz potente e rouca mais famosa do país pretende um show elaborado. E promete surpresas. Segundo o produtor do artista, João Santana, há possibilidade de os músicos prestarem homenagem a Wilson Simonal, com participação do cantor potiguar João Batista. João já gravou músicas de Simonal em outras oportunidades.
O grupo de samba Arquivo Vivo abrirá o show “com tudo o que há de mais velho”; sambas clássicos e autênticos, como sugere o nome do grupo originado nas Rocas. O Arquivo vivo tem se notabilizado nos últimos meses pelas parcerias no palco junto com bambas do gênero como Sombrinha e Almir Guineto, autor, entre outras, de Insensato destino. O Arquivo Vivo ficou conhecido nos sambas e chorinhos do Buraco da Catita e se tornou o mais promissor grupo de samba do Estado, com repertório tocado às quintas-feiras no Bar de Nazaré, Cidade Alta, além de shows continuados no Espaço do Samba, Caju Society e Sancho Pub. O repertório contempla músicas de Jorge Aragão, Cartola, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Noel Rosa, João Nogueira, Paulo César Pinheiro, Roberto Ribeiro,Candeia, João Bosco, Nelson Cavaquinho, entre outros.
NEGUINHO DA BEIJA-FLOR
Diário de Natal - O que esperar de um show de samba na acústica do teatro?
Neguinho da Beija Flor - É o repertório que o povo já conhece. Ângela e outros sucessos. Tem Idéia fixa, que estou lançado agora… Vou com minha banda completa. Vai ficar bonito. Vamos procurar cantar o repertório que o povo gosta. E como é um teatro a coisa será mais elaborada.
Qual a diferença básica entre puxador de samba, sambista e pagodeiro?Não tem diferença. Esses são segmentos diferentes que se fundem. É o que faço. Canto todos os gêneros sem problema. O samba é uma coisa só. Basta acelerar um pouquinho o ritmo que o pagode vira samba enredo.
Essa quase religião do carioca com o samba e aquela espera angustiada pelo resultado das agremiações decorre de qual aspecto?
Sem dúvida. É desse jeito. É porque nascemos no berço da coisa. Já venho de família de músico. O samba já está enraizado na minha vida. Graças a deus posso dizer que vivo exclusivamente do samba.
O carnaval do próximo ano terá sabor especial para você em razão do câncer que você enfrenta?
Vai. É como se eu tivesse começando de novo. Nascendo novamente. Será minha reestreia: um carnaval da superação; da saúde renovada.
Projeto Seis & Meia
Quem: Neguinho da Beija Flor e Arquivo Vivo
Quando: amanhã, às 18h30
Onde: Teatro Alberto Maranhão, Ribeira
Quanto: R$ 10 (inteira) R$ 5 (para professor de Natal, estudante e idoso)
Vendas apenas no dia, a partir das 9h no TAM e às 10h na Potylivros do Praia Shopping
*Matéria publicada nesta segunda-feira no Diário de Natal
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